Como fazer uma boa redação no Enem

Se você almeja descobrir como fazer uma boa redação, o primeiro passo é olvidar os mitos de que simplesmente várias pessoas levam jeito para redigir e são capazes de tirar boas notas em vestibulares, concursos, etc.

Talvez você fique pasmo, porém para tirar nota máxima em uma redação basta acompanhar os medidas da equipe avaliadora.

Existem diversos pormenores essenciais que, quando obedecidos, fazem sua redação aceitar uma óptimo nota, da mesma forma o artigo não seja revolucionário ou digno de um prêmio nobel. Os corretores não estão procurando um escrito novador ou uma teoria excelente, eles somente desejam um artigo organizado, congruente e leal ao tema.



Vamos abordar cá esses particularidades e atestar como qualquer persona deve ir bastante muito na prova redação, se bem que ainda não tenha muita prática na escrita. Vale a pena realçar que o artigo dissertativo argumentativo costuma ser o mas cobrado nas provas de vestibular e concursos, por consequência daremos atenção singular a este.

Aprenda agora o passo a passo para fazer uma boa redação


1) Estruture seu escrito adequadamente

Não é difícil. Essencialmente, para fazer sua primeira redação você vai iniciar colocando no papel várias ideologia fácil que você teve para redigir seu primeiro escrito. Após redigir as primeiras princípios, você vai estruturar essas orações no formato correto. Essa estrutura é a organização do que vamos redigir. Uma boa redação é dividida em introdução, desenvolvimento e epílogo. Logo vamos ver como resta essa organização:



Introdução

É um parágrafo de 2 a 3 orações unicamente. A gente só põe nela o fundamental, dizemos do que vamos falar na redação.

Desenvolvimento

Deve sofrear de 2 a 4 parágrafos. É nele que a gente vai esgrimir, discutir o tema da redação.

Desenlace

É um parágrafo com 2, 3 ou 4 orações. É um conclusão do escrito.

Bom, agora que a gente já sabe como para a estrutura de uma boa redação, vamos tentar construí-la.

2) Faça as seguintes duvidas para produzir a introdução, o desenvolvimento e a desfecho:

A introdução deve ser feita a arrebentar da seguinte pergunta com relação ao tema: “o que eu penso sobre isso”

O desenvolvimento deve ser obtido por meio das duvidas : “como posso atestar isso”, “Quais as causas disso”, “Quais as consequências disso”, “Como isso acontece”, “De que forma posso realizar isso”.

E a pergunta da epílogo é: “Que prelecção deve ser tirada disso”

A lascar dessas respostas é que você vai organizar sua redação. Assim como outros elementos próprios da preparação do aluno, a redação é importante. Vi, inclusive, este material que mostra como estudar corretamente para o Enem. O nome do material é Curso Segredos do Enem. Repare que estamos dividindo a redação de antemão de começá-la, isso é bastante essencial. Os avaliadores não enxergam a redação como um único escrito fechado e compacto, eles analisam o artigo por etapas, então que você deve se preocupar com qualquer uma dessas etapas, para prometer que todas estão atendendo ao que eles esperam. Não há como fazer uma boa redação de outra forma que não seja dividindo e analisando de pessoa para pessoa a introdução, o desenvolvimento e a epílogo. Qualquer tentativa de juntar esses 3 fragmentos sem cautela irá destruir a sua nota. Com isso em mente, vamos poder prosseguir.

3) Anote as convicções primordiais que servirão como argumentos

De antemão de encetar um escrito, é bastante útil redigir em uma folha pequeno número de informações sobre o tema proposto. Por ex, digamos que o tema da redação seja “O chocolate no planeta moderno”. A primeira coisa que você deve fazer é apontar número reduzido de fatos e argumentos que você conhece sobre chocolate. Por ex :

Chocolate em excesso faz problema
Existem vários tipos de chocolate
A compra e venda de chocolate movimenta bastante grana

Varias pessoas gostam de chocolate

Observe que as orações acima não são bastante grandes nem bastante elaboradas. Isso possui um motivo: a teoria cá é que você coloque no papel a informação nem mais nem menos do jeito que ela veio à sua carola. Nesse instante, não estamos preocupados com a estrutura do artigo, nem com com perfeição das orações, porque se você permanecer “travado”, sem conseguir se expressar no papel, corre o risco de perder um bom raciocínio, além de perder bastante tempo (talvez outras princípios relacionadas ao ponto sejam perdidas enquanto você tenta formular um pensamento rico e elaborado).

Logo o propósito cá é fácil : coloque no papel aquilo que veio à carola, porque estamos somente construindo nossos pilares. O próximo passo será organizar os argumentos que criamos.

Antes de continuar, veja este vídeo sobre como fazer uma redação perfeita no Enem.





4) Organize qualquer parágrafo do escrito


Observando os argumentos que escolhemos sobre chocolate, vamos poder notar que o último raciocínio que criamos acolá possui uma relação direta com o penúltimo:

A compra e venda de chocolate movimenta bastante grana
Varias pessoas gostam de chocolate

Finalmente, o mercado de chocolate movimenta bastante grana justamente pelo fato de que varias pessoas gostam de chocolate. Isso também motiva a geração de diversos tipos diferentes de chocolate, logo o segundo raciocínio também deve ser incluído nesse raciocínio. Já o primeiro raciocínio serve como um alerta. Desta maneira, um parágrafo para nosso artigo, contendo todas essas ideologia, poderia ser:

– “Como varias pessoas gostam de chocolate, o negócio desse produto movimenta bastante grana. Para aumentar as opções de sabores e aplicações, diversos tipos diferentes de chocolate são fabricados. Apesar disso, é preciso estar consciente de que chocolate em excesso faz problema ”.

Observe que as orações desse parágrafo seguem uma lógica; não são unicamente informações jogadas sem nexo. Essa lógica só existiu pelo fato de termos organizado as ideologia que tivemos lá no início. Esse processo continuamente será utilizado para prometer um escrito fluido e muito estruturado.

Agora sim estamos preocupados com o artigo da redação, porque de antemão estávamos unicamente preocupados em como erigir argumentos para o tema. Fazer a redação é o segundo passo; primeiro precisa colocar os argumentos no papel, como já comentamos. Esse pormenor conclui pegando vários alunos no contrapé, porque tentar fazer uma redação do início no final de forma direta é bastante mas difícil e perigoso. Você estaca sujeito a cometer diversos falhas como fuga do tema, falta de congruência e conexão, etc.

5) Entenda as etapas de uma boa redação

Bastante muito, esse foi somente um exemplo fácil para você ter uma teoria de como um parágrafo se ergue na prática. Obviamente, aqueles argumentos que criamos sobre chocolate renderiam varias outras orações e ideologia, porém nosso objetivo era unicamente mostrar o noção de geração de argumentos e preparação do artigo a gretar desses argumentos.

Talqualmente que fizemos com esse exemplo, mostraremos o que mas precisa levado em consideração.

6) Aprenda como fazer uma redação ( particularidades ) para gabaritar

O que vamos fazer nos próximos artigos é ensinar como você deve edificar uma introdução, um desenvolvimento e uma epílogo, porque qualquer uma dessas etapas requer cuidados e atenções singulares. Esses cuidados são fácil, porém fazem toda a diferença na sua nota final.

Você também deve conferir cá o curso completo de redação ( apostilha em pdf), contendo aulas, exercícios e redações prontas comentadas. Milhares de alunos estão aprendendo com esse material.

Guia completo de colocação Pronominal

Este é um artigo completo sobre um assunto que gera muitas dúvidas entre meus alunos: colocação pronominal. Aqui você poderá ver quais as regras que devem ser levadas em conta nos casos de próclise, mesóclise e ênclise. Isso é importante numa situação de escrita na qual seja preciso obedecer a norma padrão como é na redação do Enem. Conhecer as regras “não mata” ninguém e ainda poderá impressionar o corretor, desde que não fique pedante o texto. Vamos lá então. Boa leitura.

redação do enem casos de colocação pronominal

guia de colocação pronominal

Os pronomes átonos me, te, se, o, lhe, nos e vos podem sem colocados antes, depois ou dentro verbo. Assim, temos:
I) Próclise: quando o pronome aparece antes do verbo. Ex.: Nada o preocupava.
Diz-se que o pronome o está proclítico ou em próclise.
II) Ênclise: quando o pronome é usado depois do verbo. Ex.: Pediram-me ajuda.
Diz-se que o pronome me está enclítico ou em ênclise.
III) Mesóclise: quando o pronome se encontra dentro do verbo. Ex.: Mandar-te-ei os documentos.
Diz-se que o pronome te está mesoclítico ou em mesóclise.

Observações
a) Existem situações de próclise obrigatória que estudaremos a seguir. A ênclise e a mesóclise só são empregadas quando não há obrigatoriedade de próclise. Digamos, então, que “quem manda” é a próclise.
b) A mesóclise, diferentemente da próclise e da ênclise, exige que o verbo esteja num determinado tempo, no caso o futuro do indicativo (do presente ou do pretérito).

1) Próclise
● Com advérbios que não peçam pausa. Ex.: Ali se trabalha bastante.
Obs.: Se for usada a vírgula, que o advérbio permite, não caberá mais a próclise. Ex.: Ali, trabalha-se bastante.
● Com pronomes indefinidos, relativos e interrogativos.
Ex.: Ninguém se machucou. (ninguém é pronome indefinido)
Não entendi o recado que me deram. (que é pronome relativo)
Quem nos explicará o caso? (quem é pronome interrogativo)

● Com as conjunções subordinativas.
Ex.: Ele disse que me avisaria. (que é conjunção subordinativa integrante)
Correram quando nos aproximamos. (quando é conjunção subordinativa temporal)
● Com o gerúndio precedido de em. Ex.: Em se colocando as coisas dessa forma, não há dúvidas.
● Com as frases optativas. Ex.: Deus te proteja!
Obs.: Frase optativa é aquela que exprime um desejo do falante. Normalmente, tem ponto de exclamação.
● Com qualquer palavra negativa (geralmente advérbios e pronomes indefinidos, que já vimos que exigem próclise).
Ex.: Não me explicaram o problema.
2) Ênclise
● No início do período. Ex.: Disseram-lhe tudo.
Obs.: Quando se inicia a frase com o verbo, não há palavra atrativa para que se empregue a próclise. Por isso se diz que não se começa frase com pronome átono.
● Com verbo no imperativo afirmativo. Ex.: Pedro, levante-se! Levante-se!

Observações
a) Quando o verbo está no imperativo afirmativo, ou se usa o vocativo (Pedro), ou se inicia a frase com o verbo. No primeiro caso, haverá a vírgula, que vai impedir a próclise; no segundo, o verbo estará iniciando a frase, o que também pedirá ênclise.
b) O imperativo negativo pede próclise, já que apresenta a palavra não. Ex.: Paulo, não se levante!
● Com determinadas orações reduzidas de gerúndio, que pedem pausa.
Ex.: O professor adiou a prova, deixando-nos menos preocupados.

3) Mesóclise
Ocorre quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito.
Ex.: Mandar-lhe-ei a intimação. Escrever-te-ia uma nova carta.

Observações
a) Não se esqueça de que, havendo palavra atrativa, a preferência é da próclise.
Ex.: Nunca lhe mandarei a intimação. (correto)
Nunca mandar-lhe-ei a intimação. (errado)
b) Futuro do subjuntivo exige próclise, por causa da conjunção subordinativa ou do pronome relativo.
Ex.: Quando te pedirem algo, procura atender. Analisarei o projeto que me mandarem.

Próclise facultativa
Há casos em que se pode usar indiferentemente próclise ou ênclise, próclise ou mesóclise. É o que se entende por próclise facultativa.
● Com os substantivos.
Ex.: O garoto se machucou. O garoto machucou-se. O garoto se machucará. O garoto machucar-se-á.
● Com os pronomes pessoais e os pronomes demonstrativos.
Ex.: Ele me agradou. / Ele agradou-me. / Ele me agradará. / Ele agradar-me-á. / Isto me agrada. / Isto agrada-me. / Isto me agradará. / Isto agradar-me-á

● Com as conjunções coordenativas.
Ex.: Falou pouco, mas se cansou. / Falou pouco, mas cansou-se. / Falará pouco, mas se cansará. / Falará pouco, mas cansar-se-á.
● Com o infinitivo pessoal precedido de palavra negativa.
Ex.: Esforcei-me para não o magoar. / Esforcei-me para não magoá-lo.



Observações
a) Como se viu nos três primeiros casos de próclise facultativa, se o verbo estiver no presente ou no passado, pode-se usar a próclise ou a ênclise; no futuro do indicativo, a próclise ou a mesóclise.
b) O último caso é perigosíssimo, pois existe a palavra não, que normalmente exige próclise. Mas isso não ocorre quando ela antecede o infinitivo pessoal.

COLOCAÇÃO NAS LOCUÇÕES VERBAIS
Como vimos ao estudar os verbos, a locução verbal é a união de um verbo auxiliar e um verbo principal. O principal, que é sempre o último, encontra-se numa forma nominal: infinitivo, gerúndio ou particípio. Vejamos, então.
1) Com o infinitivo ou o gerúndio. Veja, abaixo, as frases consideradas perfeitas.
Quero mostrar-lhe o resultado.
Estou mostrando-lhe o resultado.
Quero-lhe mostrar o resultado.
Estou-lhe mostrando o resultado.

Observações
a) Com palavra atrativa, não será possível a ênclise ao verbo auxiliar.
Ex.: Não quero mostrar-lhe o resultado. (certo)
Não lhe quero mostrar o resultado. (certo)
Não estou mostrando-lhe o resultado. (certo)
Não lhe estou mostrando o resultado. (certo)
Não quero-lhe mostrar o resultado. (errado)
Não estou-lhe mostrando o resultado. (errado)

b) Se o pronome estiver solto entre os dois verbos (sem hífen), teremos uma situação polêmica. Para alguns gramáticos, é correto, para outros não. Convém fazer a questão por eliminação.
Ex.: Quero lhe mandar o resultado. (certo ou errado)
Estou lhe mandando o resultado. (certo ou errado)
Pode parecer estranho o que estou dizendo, mas é a realidade da língua portuguesa.
Numa redação, peço-lhe que não use o pronome solto entre os dois verbos.
2) Com o particípio
Quando o verbo principal é o particípio, há uma limitação maior. Só duas colocações são rigorosamente corretas, uma delas com palavra atrativa.
Ex.: Tenho-lhe mostrado o resultado.
Nunca lhe tenho mostrado o resultado.

Observações finais
a) O particípio, diferentemente do infinitivo e do gerúndio, não admite ênclise.
Ex.: Tenho mostrado-lhe o resultado. (errado)
Nunca tenho mostrado-lhe o resultado. (errado)
b) Com o pronome solto entre os dois verbos, como vimos anteriormente, a situação é polêmica. Resolva por eliminação.
Ex.: Tenho lhe mostrado o resultado. (certo ou errado).
c) Às vezes o pronome átono fica entre duas palavras atrativas. É uma situação especial de próclise conhecida como apossínclise.
Ex.: Talvez me não peçam nada.
É claro que fica mais agradável dizer “Talvez não me peçam nada. Contudo, ambas as construções são corretas.
d) Veja, a seguir, como se deve agir quando há uma frase com pronome solto entre os dois verbos.
Assinale o erro de colocação pronominal.
a) Alguém me falou sobre o jogo.
b) Vou lhe contar algo.
c) Mostrá-lo-ei.
d) Me deixaram feliz.

e) A palavra atrativa pode estar antes de uma expressão entre vírgulas.

Ex.: Ele garantiu que, se não chovesse, se apresentaria logo.
A conjunção que atrai o pronome átono me.


















































































































Guia completo sobre Intertextualidade

Neste artigo vamos aprender um pouco mais sobre intertextualidade. Quem deseja escrever um texto dissertativo que seja muito bem avaliado, seja no Enem ou no vestibular, não deve deixar de lado este recurso. Além de fundamentar melhor o que se diz, além de permitir referências que dão credibilidade aos argumentos, demonstra maturidade do candidato e uma bagagem cultural importantíssima num exame em que (link→) a redação dissertativa vale 1000 pontos.

intertextualidade redação enem gabarito nota 1000 

"Todo texto é um intertexto; outros textos estão presentes nele, em níveis variáveis, sob formas mais ou menos reconhecíveis."

Roland Banhes. In: CHARAUDEAU, Patrick;
MAINGUENEAU, Dominique. Dicionário de análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2004. p. 289.

intertextualidade-pintura-enem

Pai João
A filha de Pai João tinha um peito de
Turina para os filhos de ioiô mamar:
Quando o peito secou a filha de Pai João
Também secou agarrada num
Ferro de engomar.
A pele do Pai João ficou na ponta
Dos chicotes.
A força de Pai João ficou no cabo
Da enxada e da foice.
A mulher de Pai João o branco
A roubou para fazer mucamas.

LIMA, Jorge de. Pai João (fragmento). In: Poesia completa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. v. 1. p. 110.

1. Observe atentamente as duas pinturas, os títulos e as datas.

a) Como se dá o diálogo entre elas?

b) Como se dá o diálogo entre as telas e o poema?

2. Em relação às telas:

a) Qual é a provável atividade da personagem retratada por Tarsila do Amaral?

b) Como poderíamos interpretar as pernas cruzadas da personagem retratada?

c) A negra é considerada a primeira pintura efetivamente moderna realizada por um artista brasileiro. Foi esboçada e concluída em 1923, quando Tarsila do Amaral estudava pintura em Paris. É, no entanto uma obra tipicamente tropical. Que elemento da tela reforça essa ideia?

3. Considerando que turina é denominação da fêmea de uma espécie de gado bovino leiteiro, que ioiô era o tratamento que os escravos davam ao senhor branco e que mucama designava a escrava jovem, ama de leite, que denúncia faz o poema do alagoano Jorge de Lima?

4. Considerando que o texto literário é fruto de uma especial seleção e arrumação das palavras, releia os dois últimos versos e:

a) reescreva-os colocando os termos na ordem direta;

b) comente o efeito obtido pelo poeta com a ordem escolhida por ele.

Todo texto é um hipertexto?

A produção de textos está intimamente ligada à leitura, pois encontra nela sua fonte e seu objetivo, considerando-se que um texto só cumpre sua função se alguém o ler. Assim, o círculo que envolve a interação pela linguagem se constrói apoiado no já dito, no já lido e no já conhecido, podendo reiterá-los, reafirmá-los, reformulá-los, refutá-los.

É muito difícil pensar em um texto totalmente inédito, criado a partir do nada. É como se todo texto fosse um hipertexto que possui links explícitos ou implícitos com outros. O fenómeno da intertextualidade pode se dar entre diferentes tipos de textos de uma mesma linguagem (entre um artigo e um poema, por exemplo) e entre textos de diferentes linguagens (como um romance e um filme).

Vejamos um caso muito interessante: Cartola (1908-1980), um dos fundadores, em 1928, da Estação Primeira de Mangueira (de nome e cores - verde e rosa - escolhidos pelo sambista carioca), lança, em 1977, a música "Verde que te quero rosa", que deu título ao álbum.

Verde como o céu azul, a esperança
branco como a cor da paz a se encontrar
rubro como o rosto fica
junto à rosa mais querida
É negra toda tristeza
se há despedida na avenida
É negra toda tristeza desta vida
É branco o sorriso das crianças
São verdes os campos, as matas
e o corpo das mulatas
Quando vestem verde e rosa é Mangueira
É verde o mar que me banha a vida inteira
Verde que te quero rosa, é a Mangueira Rosa que te quero verde, é a Mangueira

CARTOLA. Verde que te quero rosa. In: Verde que te quero rosa (CD).RCA/BMG,2001.f. 1.

"Verde que te quero rosa" remete a um conhecido verso de Federico Garcia Lorca. É uma marca de intertextualidade. Leia:

Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana*,
as coisas estão mirando-a
I e ela não pode mirá-las.

* gitana = cigana

LORCA, Federico Garcia. Antologia poética. Rio de Janeiro: Leitura, 1966. p. 53.

Como você percebeu, "Verde que te quero verde" é o primeiro verso desse poema, e a reiteração da palavra verde dá o tom que vai contaminar, "tingir", as imagens subsequentes: verde vento,,verdes ramas, verde carne, tranças verdes.

Cartola não só se apropria do verso de Lorca, da cor verde tingindo tudo, como lhe acrescenta o rosa. O sambista sugere então um "tingimento" verde e rosa, fazendo alusão à Mangueira.

São inúmeras as relações de intertextualidade. Vamos nos deter em três casos abrangentes:

Intertextualidade estrutural

Consiste no emprego de modelos de estrutura preexistentes para a produção de textos. Por exemplo:

  • receita → enumeração de ingredientes + preparação;
  • gibi → sequência de quadrinhos com as falas dos personagens em balõezinhos;
  • soneto → poema composto de dois quartetos e dois tercetos.

Intertextualidade temática

Consiste na abordagem de um mesmo assunto. Por exemplo:

  • duas telas que retratem uma paisagem marinha; uma tela que retrate uma paisagem marinha e um texto que descreva uma paisagem marinha;
  • um filme e a crítica do filme;
  • dois romances que tratem do mesmo tema, como o Ateneu, de Raul Pompeia, e Doidínho, de José Lins do Rego, que abordam a vida de meninos em colégio interno; ou de Dom casmurro, de Machado de Assis, e São Bernardo, de Graciliano Ramos, que abordam o ciúme e o pretenso adultério.

Intertextualidade referencial

Consiste na citação de outros textos ou alusão a eles. Por exemplo:

  • Freud denominando a inclinação erótica de um filho pela mãe de "Complexo de Édipo", numa referência à tragédia grega Édipo Rei, de Sófocles;
  • Oswald de Andrade citando Freud no Manifesto Antropofágico: "Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.".

Conhecimentos prévios

as cobras - intertextualidade redação do enem

O que nos leva a identificar o texto acima como tirinha? A sequência de quadros, os desenhos e os balões com as falas compõem basicamente o "modelo textual" tirinha, É por conta dessas características que a reconhecemos como tirinha ou história em quadrinhos (HQ), Logo, a tirinha acima dialoga com todas as outras preexistentes a ela. Você já parou para pensar que, se pedissem a você que criasse uma HQ, você seguiria o modelo?

Essa tirinha, em especial, está centrada numa releitura (fato evidente no título da série: Neo-Robin Hood, em que neo corresponde a novo). Podemos dizer que o texto acima dialoga com outro texto porque, no momento da leitura, automaticamente acionamos conhecimentos prévios sobre outro texto: "A lenda de Robin Hood, o príncipe dos ladrões", seja porque nos contaram a história, seja porque assistimos a um filme, seja porque lemos sobre a lenda, seja pela caracterização de Robin Hood (tipo de chapéu) etc.

A tirinha, além de fazer a ponte com o texto (ou textos) sobre Robin Hood, também o transfigura: trata-se de um Robin Hood às avessas! Ao contrário do "original", este rouba dos pobres para dar aos ricos, provocando estranhamento e humor.

Quem desconhece o texto "original" faz uma leitura limitada. O reconhecimento das interconexões entre os textos possibilita uma leitura mais ágil, efetiva e rica. Quanto mais amplo for o repertório do leitor, mais plena será sua leitura, por identificar essas interconexões e avaliar as intenções dos autores ao lançarem mão delas.

Castro Alves, em seu famoso poema "Navio Negreiro", assim descreve o horror vivido pelos escravos durante a viagem da África ao Brasil:

Era um sonho dantesco...
O tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Qual o significado do adjetivo dantesco no verso do poeta baiano? Para uma melhor compreensão, reproduzimos partes do verbete dantesco, do Dicionário Eletrônico Houaiss:

dantesco
- adjetivo
1 relativo a Dante Alighieri (1265-1321), poeta italiano considerado precursor do Renascimento ("movimento"), ou a sua obra; dântico
1.1 próprio do estilo ou das cenas do Inferno de Dante [Primeiro dos três poemas que compõem A divina comédia, caracterizado por uma descrição angustiante e terrível dos suplícios infernais.]

2 Derivação: por analogia.
de grande horror; diabólico, medonho, pavoroso.

HOUAISS, António. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 1.0.5a. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

Como se observa, Castro Alves refere-se ao poema A divina comédia, de Dante Alighieri, recuperando a descrição que o poeta italiano faz dos horrores, dos sofrimentos daqueles que padecem no inferno, e associando-a aos horrores vividos pelos negros nos porões dos navios negreiros. No entanto, Castro Alves não menciona diretamente o poema; cabe ao leitor concretizar essa relação, ou seja, estabelecer o diálogo entre os textos, primeiro relacionando o adjetivo ao poeta italiano, depois recuperando as passagens do poema que serve de intertexto. Trata-se de um caso de intertextualidade implícita.

Se o poeta baiano tivesse escrito: "Era um sonho que lembrava o Inferno de Dante Alighieri: “Gritos, suspiros, prantos lá encontrei / que ecoavam no espaço sem estrelas, / pelo que no começo até chorei.”, teríamos um caso de intertextualidade explícita, com citação da fonte.

Como já se pode perceber, são riquíssimos os diálogos entre textos (e, ao longo deste volume, seja na exposição teórica, seja em questões, serão analisados variados casos de intertextualidade).

O conhecimento das relações entre os textos - e dos textos utilizados como intertextos - é um poderoso recurso de produção e apreensão de significados. Quando um determinado autor recorre a vários textos para compor os próprios, certamente tem um motivo muito claro - entre outras coisas, fazer uma crítica, uma reflexão, uma releitura desses textos. Percorrer o caminho inverso, ou seja, buscar esse motivo e reconstruir o processo de produção leva a desvendar os significados específicos do texto produzido, já que os textos se completam, lançam luz uns sobre os outros.

Esse conhecimento, porém, não se dá por acaso nem por obra da intuição, mas por meio de um trabalho bastante específico: o exercício da leitura. Quanto mais experiente for o leitor (entenda-se como leitor experiente aquele que leu muito e bem), mais possibilidades terá de compreender os caminhos percorridos (e os textos visitados) por um determinado autor em sua produção e de percorrer o próprio caminho em suas criações.

Portanto, nossos processos de leitura podem ser mais proveitosos quanto mais caminhos de leitura tivermos percorrido. Nossas produções podem aprimorar-se na medida em que incorporamos essas leituras a nossos textos. E não é exagero dizer que esses procedimentos ampliam-se de tal forma que atingem uma outra área, bem mais ampla - a que diz respeito à própria leitura do mundo.

A intertextualidade como reiteração ou como subversão

A intertextualidade, assim como outros elementos que constituem um texto, deve ser analisada com base na intenção do produtor do texto: quando se constrói a ponte entre dois textos, desloca-se significação de um contexto para outro e acrescenta-se algo, seja para reiterar, reafirmar, seja para negar, para subverter uma ideia, um conceito, uma posição ideológica.

Exemplificando e retomando a famosa "Canção do exílio": o poeta romântico Gonçalves Dias escreveu o poema em 1843, na época em que cursava Direito em Coimbra. Impregnado pelo nacionalismo pós-independência, ele exalta a natureza pátria nesse poema.

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossas flores têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

O romântico Casimiro de Abreu, em 1859, também publica sua "Canção do exílio", reiterando o nacionalismo de Gonçalves Dias e acrescentando a angústia de um jovem de vinte anos ante a presença da morte:

Se eu tenho de morrer na flor dos anos
Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Quando, em 1909, o poeta parnasiano Osório Duque-Estrada ganha o concurso para a letra do Hino Nacional, recupera passagens do poema de Gonçalves Dias, reiterando a exaltação da natureza e a ideia de nacionalismo:

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
Nossos bosques "têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

No outro extremo, vários poetas do século XX questionam e subvertem o conceito de nacionalismo de Gonçalves Dias, como é o caso do gaúcho Mário Quintana:

Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

É isso. Num próximo artigo vocês verão uma série de exercícios sobre intertextualidade, todos eles com gabarito.

Atividade de escrita sobre interjeição

Praticara  leitura e interpretação de textos é essencial para quem deseja ir bem na prova do Enem. nestes exercícios procurei tratar de questões pertinentes no estudo da gramática para que o aluno dê real sentido ao que aprende. isso é necessário para que ele não tenha problemas na memorização de informações e isso influencie na concentração na hora da prova.



Lista de atividades

Festa das Interjeições
Existiram dores e emoções...
Na festa das interjeições!
O Ah! de alegria...
Dançou com harmonia!
O Oh! de espanto...
Se comportou como um santo!
O Ih! de pessimismo e medo
Pensou que a cachaça era um brinquedo!
O Uh! que só gostava de valsa e de cereja...
Vaiou o brigadeiro e a música sertaneja!
O Puxa! achou uma maravilha...
A doce torta de baunilha!

O Ai! teve um dedo pisado...
Num rock agitado!
O Opa! esbarrou no bolo...
E se misturou num rolo!

O Ai! teve um dedo pisado...
Num rock agitado!
O Opa! esbarrou no bolo...
E se misturou num rolo!

O Bis! com o jeito que sempre quis...
Pediu mais uma música feliz!
O Hip, hip, urra...
Levou uma surra!
Pois ele esbarrou no Ui! mau – humorado ,
Que, por sorte, não estava armado!
O Poxa! ficou assustado...
E saiu da festa calado!
Existiram dores e emoções...
Na festa das interjeições.
Luciana do Rocio Mallon

Acesso em: 16 ago. 2011


1. Quais interjeições aparecem no texto?

2. Que tipo de sentimento cada uma delas exprime?

3. Por que as interjeições são acompanhadas, na maioria dos casos ocorridos no texto acima, de ponto de exclamação?

4 - Nos textos abaixo, aponte as interjeições.

a) "Oh! musa do meu fado.
Oh! minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril”
(Chico Buarque e Ruy Guerra)

b) "Olá! Como vai?
Eu vou indo e você, tudo bem?"
(Paulinho da Viola)

c) "- Salve!
- Amigo, há quanto tempo...
- Posso sentar um pouco?
- A vida é um dilema!
- Pô!
- Rosa acabou comigo!"
(Sílvio Silva Jr. e Aldir Blanc)

d) "Ah! se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir"
(Chico Buarque e Tom Jobim)

5 - Que emoções as interjeições abaixo exprimem?
a) Cuidado! Não corra tanto. '___________________________________________________________
b) Psiu! Não faça barulho.______________________________________________________________
c) Coragem! Tudo vai dar certo._________________________________________________________
d) Arre! Que bom que ele saiu!__________________________________________________________
e) Ai! Não pise no meu pé.______________________________________________________________
f) Oba! Vou entrar de férias amanhã.______________________________________________________
acesse aqui o descomplica invertida

6 – Substitua as frases em destaque por interjeições ou locuções interjetivas:
a) Fique atento! Não vou explicar isso novamente. __________________________________________
b) Levei um susto enorme! Não sabia que você estava aí. ___________________________________
c) Que dor horrível! Quase perdi o dedão do pé. __________________________________________
d) Chega de justificativas! Você já falou demais!___________________________________________

7 – Nas orações abaixo, preencha as lacunas com as interjeições ou locuções interjetivas (ufa!, oxalá!, xi!, olha lá!, ora viva!, uai!, credo!, Ah!) e diga qual o sentido ou emoção que comunicam.
a) ______________Que tarefa exaustiva! _______________________________________
b) ____________como você está bonita! _______________________________________
c) ____________Olha lá! Veja bem o que vai fazer! _________________________________
d) A secretária chegou ________________ _______________________________________
e) ___________ Você não tinha ido embora! _______________________________________

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8 – Que Interjeições ou  locuções interjetivas você usaria para exprimir as reações emotivas das seguintes personagens?



















Atividades sobre significação de palavras

A Reforma do Ensino Médio não afetará o atual modelo das provas do Enem. Ou seja, teremos um teste composto por quatro provas de conhecimentos e uma redação. O Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, autarquia não governamental responsável por elaborar e aplicar as provas do Exame depende do que será aprovado na Base Nacional Comum Curricular, que será reavaliada em seminários estaduais e depois discutida pelo Conselho Nacional de Educação – CNE. Todo este processo deve terminar segundo expectativas apenas no final de 2017. enquanto isso não acontece, vamos estudando os principais assuntos que caem nas provas. Pra começar, guarde este link com 247 exercícios de interpretação de textos com gabarito


Exercícios sobre significação de palavras

1 - Leia as frases
a) Uma andorinha só não faz verão
b) Nem tudo que reluz é ouro
c) Quem semeia ventos, colhe tempestades
d) Quem não tem cão caça com gato.

As ideias centrais dos provérbios acima são na ordem (marque um X na opção correta):
a) solidariedade- aparência- vingança- dissimulação.
b) cooperação – aparência- punição- adaptação.
c) egoísmo- ambição- vingança- falsificação.
d) cooperação – ambição – consequência- dissimulação
e) solidão – prudência- punição – adaptação.

2 – Preencha as lacunas com cessão, seção ou sessão.
a) A ______________________ dos donativos à Santa Casa permitiu a compra de remédios para o ambulatório.
b) Quando chegamos ao cinema, a ________________ das oito já havia iniciado.
c) Na ____________________ de biscoitos, as crianças ficavam agitadas.

3 – Na Língua Portuguesa, a mesma palavra, por vezes, possui significados diferentes. A esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia. Veja: pena = pluma, peça de metal para escrever, punição; .Construa frases, usando as palavras dadas em, pelo menos, dois diferentes sentidos.
a) Manga
b) Linha
c) ponto
d) capa

4 – Observe e compare o emprego da palavra mal nestas frases:
Mal consigo ler, com muita dificuldade e incredulidade, as notícias”
Eu apenas consigo ler mal.

Perceba que a mudança de posição da palavra acarretou uma alteração de sentido.
a) Qual o sentido da palavra mal em cada uma das situações?

5 - Relembrando as palavras homônimas, marque o item que contém erro no termo destacado.
a) Eles foram caçar, mas ainda não retornaram.
b) O tráfico de escravos enegreceu a história de muitas pátrias.
c) Vamos cozer o arroz.
d) Os bandidos foram presos em fragrante.

6 – Observe as informações contidas nos rótulos das garrafas 1 e 2.
Qual desses dois tipos de refrigerantes uma pessoa que só se alimenta de produtos naturais tomaria? Explique sua resposta. (observe o significado que cada uma que passar)
1 – Refrigerante de suco natural - 2 – refrigerante com suco natural.

7 – Levando em consideração os trechos citados, observamos na chamada da capa, um interessante jogo polifônico.
a) Apresente dois sentidos de “Inspire saúde”!. Justifique sua resposta.
b) Apresente dois sentidos de “aliviado” em “respire aliviado”!. Justifique sua resposta.

Análise e sugestão de reescrita de redação do Enem

Este é um artigo fantástico para quem se sente perdido na hora de escrever e corrigir suas redações. Isso porque trago uma redação corrigida e com os comentários do porquê dos erros e sugestões de reescrita. Com isso, ajudamos aqueles que têm participado do meu grupo de discussão de Língua Portuguesa e que são alunos do meu curso de Português Online. Vamos então ao exercício.




ANÁLISE DA REDAÇÃO

Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema O PAPEL DA MEMÓRIA PARA A FORMAÇÃO DA CULTURA NOS DIAS DE HOJE, apresentando proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto I
"Memória não é algo do passado, é um fenômeno que traz em si um sentimento de continuidade e de coerência, seja ele processado individualmente ou em grupo em reconstrução em si, torna-se o fator preponderante para o entendimento de sentimento de identidade."
Maria Rossel Souza Santos
Texto II
"Os contos de fadas são um exemplo privilegiado ao falar de identidade cultural. Os contos dor irmãos Grimm foram coletados entre as histórias transmitidas oralmente como a Alemanha - mas que, no início do século 19, se organizava em territórios que, embora compartilhassem a língua, apresentavam fragmentação política. Esse livro de contos infantis, cuja publicação foi iniciada em 1818, era um esforço que visava à formação de uma identidade alemã, em meio a um processo de unificação que se estenderia pelo resto do século.
Identidades culturais se relacionam com o sentimento de pertencimento a um grupo que compartilha uma memória coletiva, um conjunto comum de conhecimentos. Nas intenções dos irmãos Grimm, a repetição de contos parecidos por todos aqueles estados autônomos representaria uma unidade manifestada no saber comum do povo alemão - como uma base cultural unindo os fragmentos políticos."
Luciana Silveira(Lhys)
Texto III



Texto IV
"O resgate da memória é de suma importância devido à construção de uma identidade consciente de um determinado povo. Para isso é necessário que não deixe de rememorar, ir em busca de raízes, das origens, do âmago da sua história, etc.
A memória tem um caráter primordial para elevação de uma nação de um grupo étnico, pois aporta elementos para sua transformação.
A ideia de nação é uma realidade que se impõe por si mesmo, pois é uma construção contínua que repousa no erro histórico. Ao falar de raça vem em nossas mentes altura, índice cefálico, uma aparência hereditária, enquanto etnicidade os aspectos culturais são primordiais, pois é uma comunidade biológica de cultura e de língua.
A nação, raça e etnia se distinguem pela pertença racial, originada na comunidade de origem, a pertença étnica é dada pela crença subjetiva na comunidade de origem e a nação pelo poder político. Expresso nas instituições democráticas nas instâncias competentes. Apesar de que hoje não se fala mais em raça que é um conceito em desuso.
Stuart Hall afirma que: 'as identidades nacionais não são coisas com as quais nós nascemos, mas são formadas, transformadas no interior da representação' (HALL, 1999,48). Sendo a nação construída, é uma comunidade simbólica e gera sentimentos de identidade e de pertença que não necessariamente tem de ser os limites geográficos que impõe essa nação.
Partindo do pressuposto que a 'memória é a faculdade de reter ideias ou reutilizar sensações, impressões ou quaisquer informações adquiridas anteriormente como afirma o dicionário da Língua Portuguesa (FERRIRA, 1989, 334), percebe-se que essa memória proporciona a lembrar da própria lembrança e não deixa que se apaguem as experiências adquiridas por todos envolvidos com aquele episódio."
Claudio Magalhães Batista
REDAÇÃO MEDIANA

A memória e sua importância para a formação cultural
Muros. Casas. Ruas. Monumentos. Desde o surgimento de nações e constituição de povos, a importância do passado é elemento crucial na formação de culturas. Seguindo uma definição primária, memória é a faculdade de reter as ideias, as impressões e os conhecimentos adquiridos anteriormente. As memórias individual e coletiva são importantes para a criação e manutenção da cultura de qualquer organismo social. Ao reconhecer que cada função é importante para o resultado positivo do todo, o homem pode perceber que as duas faculdades estão interrelacionadas a fim de compor uma memória coletiva salutar. Assim, tal qual o trabalho de um corpo, a lembrança é órgão mais silencioso e responsável pelo corpo social.
Mas muitos foram os casos em que a sobreposição de culturas mais poderosas teve como alvo as julgadas como inferiores. A Alemanha Nazista é o exemplo categórico que comprova a minimização de culturas judias, assim como a sobreposição do ideal de vida americano sobre os países latinos. Se cada indivíduo é responsável pela disseminação de ideias, ele possui grandes possibilidades de modificar sua atual condição por meio de experiências passadas. O escritor alemão Johaan Goethe afirmou que se o interesse do indivíduo diminui é porque com a memória já aconteceu o mesmo. Dessa forma, o escritor demonstra a importância para a preservação de um resgate consciente da memória.
Nessa perspectiva, todo movimento que visa resgatar a memória coletiva tem o poder de maximizar o espaço de gays, transexuais e negros. Consequentemente, reconhecer o déficit histórico de uma imposição cultural é fundamental para que, de alguma forma, os que foram postos a margem se sintam inseridos no atual contexto histórico. Dessa maneira, o processo de transformação do cenário sociocultural, para a libertação de culturas fundamentadas em padrões preconceituosos, é o único meio de dissipar culturas intolerantes e deve seguir o fluxo inverso, assim como um organismo, o movimento de liberação deve ceder espaço ao de contração - inserção - para a manutenção de um corpo social saudável.
Em síntese, a memória não pode ser analisada por uma cultura estagnada, mas guiada com o sentimento de continuidade e progressão, contínuos, para que cumpra sua parcela na construção de culturas mais tolerantes. Percebemos, muito próximos a nós, museus e centros culturais igualmente vítimas de descaso da administração pública e, ainda, eventos que não alcançam regiões periféricas. Por isso, cada cidadão deve cultivar uma consciência mais participativa na busca por fatos passados. Entretanto, o sentimento coletivo deve ser o foco principal, afinal uma única andorinha não faz verão.
COMENTÁRIOS

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Introdução
Muros. Casas. Ruas. Monumentos. Desde o surgimento de nações e constituição de povos, a importância do passado é elemento crucial na formação de culturas. Seguindo uma definição primária, memória é a faculdade de reter as ideias, as impressões e os conhecimentos adquiridos anteriormente. As memórias individual e coletiva são importantes para a criação e manutenção da cultura de qualquer organismo social. Ao reconhecer que cada função é importante para o resultado positivo do todo, o homem pode perceber que as duas faculdades estão interrelacionadas a fim de compor uma memória coletiva salutar. Assim, tal qual o trabalho de um corpo, a lembrança é órgão mais silencioso e responsável pelo corpo social. Comentário: No parágrafo introdutório, o redator escolheu o uso de "Flashes" como estratégia para ambientar o início do texto. Embora esse recurso seja pertinente ao propor uma percepção mais ilustrativa do tema, não foi bem empregado, pois eles não constroem uma relação imediata com o assunto - "Muros. Casas. Ruas. Monumentos". Com isso, podemos perceber que em nada se relacionam à questão da memória e sua importância para a construção cultural. Outro problema facilmente constatado é a ausência de cumprimento da proposta, uma vez que não focou "nos dias de hoje". Além disso, a contextualização no parágrafo não foi pertinente, porque ele afirma que "desde o surgimento de nações e constituição de povos, a importância do passado é elemento crucial", o que torna a delimitação confusa e sem fundamento para o leitor.
Sugestão de reescritura
"Seguindo uma definição primária, memória é a faculdade de reter as ideias, as impressões e os conhecimentos adquiridos anteriormente. As memórias individual e coletiva são importantes para a criação e manutenção da cultura de qualquer organismo social, primordialmente em um século de ritmo acelerado. Ao reconhecer que cada função é importante para o resultado positivo do todo, o homem pode perceber que as duas faculdades estão interrelacionadas a fim de compor uma memória coletiva salutar. Assim, tal qual o trabalho de um corpo, a lembrança é órgão mais silencioso e responsável pelo corpo social.
Desenvolvimento 1
Mas muitos foram os casos em que a sobreposição de culturas mais poderosas teve como alvo as julgadas como inferiores. A Alemanha Nazista é o exemplo categórico que comprova a minimização de culturas judias, assim como a sobreposição do ideal de vida americano sobre os países latinos. Se cada indivíduo é responsável pela disseminação de ideias, ele possui grandes possibilidades de modificar sua atual condição por meio de experiências passadas. O escritor alemão Johaan Goethe afirmou que se o interesse do indivíduo diminui é porque com a memória já aconteceu o mesmo. Dessa forma, o escritor demonstra a importância para a preservação de um resgate consciente da memória.
Comentário: No primeiro parágrafo de desenvolvimento, o aluno tentou utilizar a estratégia de "Exemplificação", sendo importante para deixar o argumento mais ilustrativo e acessível de visualização para o leitor. No entanto, não foi utilizado de forma adequada, uma vez que o parágrafo ficou predominantemente expositivo ao centrar em relatos históricos e nas opiniões do escritor Johaan Goethe. Quanto à estrutura coesiva, o conector "mas" foi empregado equivocadamente, pois seu uso é intrafrasal e não pode, portanto, iniciar períodos.

Sugestão de reescritura
Sendo cada indivíduo responsável pela disseminação de ideias, ele possui grandes possibilidades de modificar sua atual condição por meio de experiências passadas. Entretanto, muitos grupos já figuraram em nossa história e mostraram que a sobreposição e exclusão de culturas só nos ofertaram heranças negativas. A manutenção da memória individual, mesmo em episódios equivocados, é fonte de novos caminhos para uma determinada comunidade, mas cada indivíduo precisa se (re)conhecer como participante primordial. Dessa forma, percebemos a máxima de Goethe: "Quando o interesse diminui, com a memória ocorre o mesmo".
Desenvolvimento 2
Nessa perspectiva, todo movimento que visa resgatar a memória coletiva tem o poder de maximizar o espaço de gays, transexuais e negros. Consequentemente, reconhecer o déficit histórico de uma imposição cultural é fundamental para que, de alguma forma, os que foram postos a margem sintam-se inseridos no atual contexto histórico. Dessa maneira, o processo de transformação do cenário sociocultural, para a libertação de culturas fundamentadas em padrões preconceituosos, é o único meio de dissipar culturas intolerantes e deve seguir o fluxo inverso, assim como um organismo, o movimento de liberação deve ceder espaço ao de contração - inserção - para a manutenção de um corpo social saudável.
Comentário: No segundo parágrafo de desenvolvimento, o redator pecou ao reduzir seu campo argumentativo quando exemplificou com algumas minorias - "gays, transexuais e negros" -, pois na verdade o espaço de todos deve ser "maximizado". Tal restrição também se agrava quando ele defende que esse resgate é o "único meio" de reverter os parâmetros de uma cultura intolerante, sendo uma generalização não admitida em um texto dissertativo-argumentativo. Além disso, o segundo parágrafo de desenvolvimento contém um período longo, estrutura que compromete a compreensão das ideias e gera o empilhamento das mesmas.

Sugestão de reescritura
Sendo cada indivíduo responsável pela disseminação de ideias, ele possui grandes possibilidades de modificar sua atual condição por meio de experiências passadas. Entretanto, muitos grupos já figuraram em nossa história e mostraram que a sobreposição e exclusão de culturas só nos ofertaram heranças negativas. A manutenção da memória individual, mesmo em episódios equivocados, é fonte de novos caminhos para uma determinada comunidade, mas cada indivíduo precisa se (re)conhecer como participante primordial. Dessa forma, percebemos a máxima de Goethe: "Quando o interesse diminui, com a memória ocorre o mesmo".
Conclusão
Em síntese, a memória não pode ser analisada por uma cultura estagnada, mas guiada com o sentimento de continuidade e progressão, contínuos, para que cumpra sua parcela na construção de culturas mais tolerantes. Percebemos, muito próximos a nós, museus e centros culturais igualmente vítimas de descaso da administração pública e, ainda, eventos que não alcançam regiões periférias. Por isso, cada cidadão deve cultivar uma consciência mais participativa na busca por fatos passados. Entretanto, o sentimento coletivo deve ser o foco principal, afinal uma única andorinha não faz verão.
Comentário: Na conclusão, o redator cumpre sua função primordial ao retomar a tese logo no início do parágrafo. Porém, em nenhum momento ele retoma o uso da imagem que foi iniciada na introdução - "corpo" e "órgão"-, o que não forma, portanto, um texto-circuito. No critério "Proposta de intervenção", o parágrafo não foi eficaz quando propõe uma cultivação da consciência, já que não se trata de uma solução concreta ao tema abordado. Além disso, o uso do clichê no último período não acrescenta uma ideia nova e original, sendo assim, dispensável ao parágrafo.

Sugestão de reescritura
A memória, portanto, não pode ser analisada por uma cultura estagnada, mas guiada com o sentimento de continuidade e progressão, contínuos, para que cumpra sua parcela na construção de culturas mais tolerantes. Percebemos, muito próximos a nós, museus e centros culturais igualmente vítimas de descaso da administração pública e, ainda, eventos que não alcançam regiões periféricas. Por isso, o incentivo ao resgate da memória de qualquer sociedade não pode se pautar em uma questão de boa vontade. O investimento público é primordial, assim como a mudança saudável é urgente.

VISÃO GLOBAL + CRITÉRIOS DA BANCA ENEM

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O tema, "O papel da memória para a formação da cultura nos dias de hoje", delimitava, em primeiro olhar, as ideias que deveriam ser tratadas como foco. Dessa forma, deveriam ser abordados aspectos como: memória e cultura, nos dias atuais, essas três expressões deveriam figurar na contextualização. O redator, no caso, cumpriu parcialmente essa função, pois deixou de abordar parte da frase-tema, uma vez que não focou "nos dias de hoje" Além disso, o título é formado por ideias que parafraseiam a proposta - "A memória e sua importância para a formação cultural".
Na proposta, pede-se um texto dissertativo-argumentativo que preza pela estruturação de um texto dividido em introdução, desenvolvimento e conclusão de forma que deve existir a imparcialidade no tratamento do tema. Com isso, o redator do texto respeitou predominantemente essa tipologia textual. Além disso, o aluno fez uso de uma imagem na introdução - "corpo" e "órgão" - que não foi retomada ao longo do texto, o que não promoveu a elaboração de um texto-circuito. Ele poderia, por exemplo, usar a imagem como sugestão para evitar a paráfrase do título.
Quanto à argumentação, a banca do ENEM, que valoriza a criatividade, marca de autoria, no que diz respeito às ideias selecionadas, preza pela argumentação e pelas estratégias usadas para isso. No texto em pauta, o redator tentou utilizar a estratégia de "Exemplificação", que é importante para deixar o argumento mais ilustrativo e acessível para o leitor. No entanto, não foi utilizado de forma adequada, uma vez que o primeiro parágrafo ficou, predominantemente, expositivo ao se centrar em relatos históricos e em opiniões do escritor alemão. Já o segundo parágrafo apresenta mais uma inadequação no que diz respeito à generalização sobre a defesa do resgate da memória como única saída para reverter o problema das minorias.
O autor do texto "A memória e sua importância para a formação cultural", em uma visão geral, possui domínio razoável em relação à coesão e à coerência. Primeiramente, a imagem não foi retomada ao longo do texto e não cumpriu a função coesiva e no segundo parágrafo de desenvolvimento contém um período longo, o que compromete a compreensão das ideias e gera o empilhamento das mesmas. Além disso, há um equívoco na utilização do conectivo adversativo "mas", pois seu uso é intrafrasal - liga oração em um mesmo período - e não pode, assim, iniciar períodos. Tal inadequação compromete não somente a coesão do texto como também a coerência das ideias, além de transparecer certo tom informal, não aceito nesse tipo textual.
De acordo com critério "Proposta de intervenção" é esperado que o candidato proponha uma medida real e objetiva que visa uma melhoria significativa no quadro apresentado e não um mero paliativo. Contudo, a ideia não foi pertinente, quando propõe uma "cultivação da consciência", já que não se trata de uma solução concreta ao tema abordado. Além disso, o uso do clichê, no último período, não acrescenta uma ideia nova, sendo dispensável ao parágrafo por não contribuir para a "Marca de autoria".
A redação comentada, em geral, não possuiu falhas ortográficas nem grandes desvios com relação à norma culta da língua. Assim, em uma visão global, o texto não apresenta grandes comprometimentos gramaticais e atende razoavelmente ao tema proposto pela banca.

REDAÇÃO EXEMPLAR
Corpo-cultura
Seguindo uma definição primária, memória é a faculdade de reter as ideias, as impressões e os conhecimentos adquiridos anteriormente. As memórias individual e coletiva são importantes para a criação e manutenção da cultura de qualquer organismo social, primordialmente em um século de ritmo acelerado. Ao reconhecer que cada função é importante para o resultado positivo do todo, o homem pode perceber que as duas faculdades estão interrelacionadas a fim de compor uma memória coletiva salutar. Assim, tal qual o trabalho de um corpo, a lembrança é órgão mais silencioso e responsável pelo corpo social.
Sendo cada indivíduo responsável pela disseminação de ideias, ele possui grandes possibilidades de modificar sua atual condição por meio de experiências passadas. Entretanto, muitos grupos já figuraram em nossa história e mostraram que a sobreposição e exclusão de culturas só nos ofertaram heranças negativas. A manutenção da memória individual, mesmo em episódios equivocados, é fonte de novos caminhos para uma determinada comunidade, mas cada indivíduo precisa se (re)conhecer como participante primordial. Dessa forma, percebemos a máxima de Goethe: "Quando o interesse diminui, com a memória ocorre o mesmo".
Nessa perspectiva, todo movimento que visa resgatar a memória coletiva tem o poder de maximizar uma minoria. Consequentemente, reconhecer o déficit histórico de uma imposição cultural é fundamental para que, de alguma forma, os que foram postos a margem sintam-se inseridos no atual contexto histórico. Dessa maneira, o processo de transformação do cenário sociocultural, para a libertação de culturas fundamentadas em padrões preconceituosos, deve seguir o fluxo inverso. Assim, como um organismo, o movimento de liberação deve ceder espaço ao de contração - inserção - para a manutenção de um corpo social saudável.
A memória, portanto, não pode ser analisada por uma cultura estagnada, mas guiada com o sentimento de continuidade e progressão, contínuos, para que cumpra sua parcela na construção de culturas mais tolerantes. Percebemos, muito próximos a nós, museus e centros culturais igualmente vítimas de descaso da administração pública e, ainda, eventos que não alcançam regiões periféricas. Por isso, o incentivo ao resgate da memória de qualquer sociedade não pode se pautar em uma questão de boa vontade. O investimento público é primordial, assim como a mudança saudável é urgente.

Exercício de análise de tema de redação

A proposta hoje é bastante diferente. Quase nunca somos levados a pensar na coletânea de textos que nos é oferecida. O pior é que qualquer docente que queira fazer isso em suas aulas ainda ouvirá que está enrolando, que não preparou a aula ou que não está dando matéria. Como sei que vocês não são assim, vamos ao exercício que mostra um pouco do que faço dentro da plataforma do meu curso de Português Online.


Interprete de forma completa o tema abaixo:

A partir dos trechos abaixo, elabore um texto dissertativo-argumentativo em que você apresente suas reflexões sobre o brasileiro e a questão da moral.

Texto I
"Nas últimas semanas, a imprensa tem se dedicado a analisar a frouxidão moral dos brasileiros. Está certo. Os brasileiros são moralmente frouxos mesmo. Isso ninguém discute."
Diogo Mainardi
Texto II

Cena 9 - Canção do exílio
Minha terra tem campos de futebol onde cadáveres amanhecem emborcados pra atrapalhar os jogos. Tem uma pedrinha cor-de-bile que faz "tuim" na cabeça da gente. Tem também muros de bloco (sem pintura, claro, que tinta é a maior frescura quando falta mistura), onde pousam cacos de vidro pra espantar malaco. Minha terra tem HK, AR15, M21, 45 e 38 (na minha terra, 32 é uma piada). As sirenes que aqui apitam, apitam de repente e sem hora marcada. Elas não são mais das fábricas, que fecharam. São mesmo é camburões, que vêm fazer aleijados, trazer tranquilidade e aflição.
Fernando Bonassi
Texto III

Ser brasileiro
Somos um povo sui generis em vários aspectos. Alguns ditados populares têm lá a sua razão de ser. Aqui há "leis que pegam" e "leis que não pegam", depende de a quem se aplica. A rigidez da letra fria da lei esbarra no "jeitinho brasileiro", no "favor", no quebra-galho. Sérgio Buarque de Hollanda aponta algumas características de nossa formação social no clássico "Raízes do Brasil". Somos um povo cordial e intimista. Em que outra nação conhecem-se as pessoas pelo apelido diminutivo, inclusive após o honorífico, como por exemplo: "Seu Luizinho", "Dona Candinha"... Até alguns santos merecem tratamento informal, como Santa Terezinha e o Menino Jesus por exemplo.
Lázaro Curvelo Chaves
1. Analise a proposta, determinando especificamente o que deve ser abordado.

Elabore uma tese que servirá de base para a defesa do ponto de vista sobre o tema.

3.  Levante três argumentos que serão usados como base para a sua tese.

4.  Agora, confeccione um parágrafo argumentativo com cerca de seis linhas baseado em um de seus argumentos citados.

Solução comentada dos itens

1.  Considerando que análise de palavra-chave é uma etapa fundamental da interpretação temática, é importante que o aluno saiba conceituar moral. Seria impossível, por isso, fugir da questão da ética. Portanto, é importante perceber basicamente: a questão da assimilação social dos valores - que fundam e fundamentam regras de convívio - e a ideia de "fazer a coisa certa sem que isso seja uma regra/ordem". Um bom recorte para a relação entre a questão moral e o brasileiro é partir das noções de moral individual e moral coletiva.

2.  A falta de seriedade do brasileiro é fruto de uma alienação forçada que, por sua vez, é fruto da influência, na moral individual, da falta de moral social.

3.

A1) O excesso de comportamentos desviantes cria uma nova noção de certo e errado. Assim, há uma banalização do erro, que é repetido sem medição de consequências.

A2) A compreensão plena da questão moral só se dá na fusão entre o individual e o coletivo. O "mas todo mundo faz/faria isso"cria uma aceitação social de condutas imorais.

A3) Por mais que a moral individual crie, para o brasileiro, determinadas regulações - sanções, impedimentos e até mesmo culpa - a frequente corrupção da moral coletiva, observada por ele em seu cotidiano, pode motivá-lo a ferir a sua também.

4. Mais um fator interfere na relação entre o brasileiro e a moralidade: a falta de moral social. Por isso, mesmo quando ele possui valores sociais e costuma obedecer a regras de convívio, pode perceber condutas imorais de outras pessoas de seu convívio. Condutas, inclusive, muitas vezes bem recompensadas ou, de alguma forma, vantajosas. Assim, ele se sente incitado a desrespeitar a moral também.

Análise de redação sobre política

Esta é a a análise de um texto dissertativo com comentários e sugestões de reescrita.



Políticas democráticas
As políticas públicas são, essencialmente, formas de governar os países considerando as minorias. Cria-se projetos que promovem a inserção dos indivíduos que não tem acesso as formas de cultura erudita, pois não há investimento no setor educacional brasileiro, que comparado ao sistema privado, é deficiente. Logo, esta deficiência precisa ser mudada, uma vez que o Brasil é um país de todos e há muito tempo sofre com estas deficiências.
Entretanto, quando pensamos as práticas políticas nacionais, caímos no fato que nos remete a história brasileira anterior ao processo de democratização que se fez de modo excludente e elitista, voltada as classes urbanas sempre priorizadas pelos governantes brasileiros eleitos em eleições diretas. Isto é comprovado, por exemplo, com o governo de Getúlio Vargas presidente que se suicidou por buscar o segundo mandado.
Como visto acima, os mecanismos apresentados pelo poder público muitas vezes são variadas formas de obter sucesso no âmbito citado já que os individuos caracterizam-se de acordo com as ideologias apresentadas na década de 1930. A partir desse argumento percebemos o ciclo vicioso criado entre a busca do desenvolvimento sustentável e formas de conter os problemas sociais recorrentes nas favelas das grandes cidades.
Conclui-se que há a necessidade da criação de medidas de conscientização da população que deve lutar por seus direitos nas ruas, reinvindicando suas vontades diante do governo que não intercede pela sociedade. Portanto reivindicar significa ter uma visão crítica em relação ao governo, pois vivemos numa sociedade desigual e sem moral.
COMENTÁRIOS SOBRE A REDAÇÃO

Introdução

As políticas públicas são, essencialmente, formas de governar os países considerando as minorias. Cria-se projetos que promovem a inserção dos indivíduos que não tem acesso as formas de cultura erudita, pois não há investimento no setor educacional brasileiro, que comparado ao sistema privado, é deficiente. Logo, esta deficiência precisa ser mudada, uma vez que o Brasil é um país de todos e há muito tempo sofre com estas deficiências. Comentário: O tema proposto apresenta dois assuntos relacionados, porém na contextualização introdutória é preciso abordá-los de maneira conjunta, um desenvolvimento tangencial ao tema. O candidato, no presente e parágrafo, introduz apenas uma das questões presentes na proposta. No âmbito ideológico há dois problemas: o primeiro é a redução das penas às minorias e o segundo é a associação desse mesmo pensamento à criação de projetos, destir  mo tem acesso "às formas de cultura erudita". Além disso, a discussão restringe-se somente ao Brasil, que não é citado diretamente na frase tema.

No aspecto gramatical, há desvios relacionados à concordância verbal na voz passiva sintética: "cria-se projetos" em que observamos um sujeito no plural e seu respectivo predicado no singular; no trecho "acesso as formas de cultura erudita ", pontuamos a ausência do acento grave - às formas de cultura erudita -, para indicar a função do complemento nominal. No último período constatamos um problema de referência discursiva: "esta deficiência" não retoma anaforicamente nenhum pensamento anterior, como na aplicação de "essa deficiência".

Sugestão de reescritura

Destinada à coletividade, as políticas públicas são o conjunto de diretrizes, normas e ações efetuadas pelo Estado em busca de mudanças que favorecem o desenvolvimento social. Dessa forma, a melhoria na qualidade de vida nesse âmbito auxilia na manutenção dos direitos básicos dos seres humanos. No entanto, em países emergentes, faltam investimentos em políticas sociais, o que privilegia o setor econômico fazendo com que não ocorram mudanças sociológicas.

Desenvolvimento 1

Entretanto, quando pensamos as práticas políticas nacionais, remetemo-nos à história brasileira anterior ao processo de democratização que se fez de modo excludente e elitista, voltada as classes urbanas sempre priorizadas pelos governantes brasileiros eleitos em eleições diretas. Isto é comprovado, por exemplo, com o governo de Getúlio Vargas presidente que se suicidou por buscar o segundo mandado.

Comentário: Inicialmente, há a utilização inadequada da conjunção "entretanto" que expressa, predominantemente, uma desconstrução de ideias anteriormente apresentadas. Sua aplicação antecipada ocasiona uma oposição do que foi exposto na tese, o que prejudica a credibilidade do texto. Há, ainda, a superposição de ideias em um único período e a utilização inapropriada do contexto histórico do Estado Novo como recurso de interdisciplinaridade, cuja clareza se perde em relação ao texto.

Apresentam-se os desvios gramaticais: a concordância nominal e crase no trecho "ao processo de democratização... voltada(o) as(às) classes urbanas" em que o vocábulo "voltada" deve se relacionar sintaticamente com "processo"; o emprego do pronome demonstrativo "isto", ,quando na verdade caberia em seu lugar o vocábulo anafórico "isso"; o equívoco no uso do parônimo "mandado", que no contexto tem sentido de "mandato"; o pleonasmo caracterizado pela utilização dos vocábulos "eleitos em eleições" que marca uma redundância.

Sugestão de reescritura

Pensar o desenvolvimento econômico implica direcionar esforços que incidem, sobretudo, nas relações globais entre as nações. De acordo com Stuart Hall, sociólogo contemporâneo, há uma linha tênue entre aspectos econômicos em relação às transformações sociais. Segundo o autor, essas caracterizam-se pela rediscussão da identidade cultural e aqueles a partir de uma delineação capitalista, indissociáveis na contemporaneidade.

Desenvolvimento 2

Como visto acima, os mecanismos apresentados pelo poder público muitas vezes são variadas formas de obter sucesso no âmbito citado já que os indivíduos caracterizam-se de acordo com as ideologias apresentadas na década de 1930. A partir desse argumento percebemos o ciclo vicioso criado entre a busca do desenvolvimento sustentável e formas de conter os problemas sociais recorrentes nas favelas das grandes cidades.

Comentário: A construção "como visto acima" é problemática, pois não estabelece textualmente uma relação semântica clara com as ideias apresentadas anteriormente, além de se caracterizar como uma forma de pouco engajamento do texto. Os três sintagmas "variadas formas", "âmbito citado" e "ideologias apresentadas" apresentam-se de modo vago e pouco esclarecedor no parágrafo. Além disso, a expressão "ciclo vicioso" é um clichê bastante recorrente em textos argumentativos, uma vez que constitui um vício de linguagem, resolvido a partir de sua troca pela expressão equivalente "círculo vicioso". Ainda, a estrutura adverbial "a partir desse argumento" é vaga, pois não há um embasamento sobre o qual podemos associar essa assertiva. Por fim, com a inserção do trecho "conter os problemas sociais recorrentes nas favelas das grandes cidades" há uma visão reducionista que nos remete a restrição dos problemas aos âmbitos recortados.

No que tange à estruturação, observa-se a ausência de vírgulas: anterior à oração adverbial "já que os indivíduos caracterizam-se...", posterior à construção adverbial "a partir desse argumento". Também no vocábulo paroxítono "indivíduos" não há a marcação gráfica na sílaba tônica, a saber, "indivíduos".

Sugestão de reescritura

Pontua-se, por outro lado, o caráter problemático da implementação e do acompanhamento das políticas públicas, não pensadas a longo prazo. Nessa medida, as propostas paliativas tornam-se mecanismos atenuantes para a resolução das dificuldades de concentração de renda entre outras adversidades sociais. Por conseguinte, uma análise acerca dos resultados obtidos por meio desses planejamentos revela-nos a ausência na manutenção das medidas apresentadas.

Conclusão

Conclui-se que há a necessidade da criação de medidas de conscientização da população que deve lutar por seus direitos nas ruas, reinvindicando suas vontades diante do governo que não intercede pela sociedade. Portanto reivindicar significa ter uma visão crítica em relação ao governo, pois vivemos numa sociedade desigual e sem moral.

Comentário: Em um primeiro momento, localiza-se a expressão "conclui-se que" que revela pouco engajamento textual e constitui um clichê recorrente em textos argumentativos. Há um tom panfletário no primeiro período do texto, especificamente no trecho "criação de medidas de conscientização da população que deve lutar por seus direitos nas ruas".

Constata-se a superposição das estruturas encabeçadas pela preposição de: "a necessidade da criação de medidas de conscientização da população". Além disso, há um desvio ortográfico em relação à palavra "reinvindicando", que é grafada "reivindicando".

Sugestão de reescritura

É pertinente que se fale na mescla das necessidades econômicas e sociais, pois ambas ainda são dicotômicas, quando postas em questão nas discussões internacionais. A fim de que essas demandas sejam interpoladas, devem-se redirecionar as propostas de cunho global, com o intuito de promover o acompanhamento social, de modo a preservar um desenvolvimento aplicado.

COMENTÁRIO GERAL

Com relação à contextualização temática da redação mediana, encontram-se algumas carências ligadas à abordagem: "Isto é comprovado, por exemplo, com o governo de Getúlio Vargas presidente que se suicidou por buscar o segundo mandado." A utilização do dado histórico como inclusão de interdisciplinaridade ao texto, além de caracterizar uma falha relacionada diretamente à compreensão do texto, devido à falta de conexão das ideias propostas, demonstra também a argumentação sem fundamentação, pois não apresenta um desenvolvimento ao longo do parágrafo. Equívocos como esse podem ocasionar na perda de pontos nas competências 2 e 3 do ENEM, principalmente interdisciplinaridade e argumentação, respectivamente.

Ainda sobre a abordagem argumentativa, há alguns desvios sutis relacionados à colocação de alguns termos como, por exemplo, "como visto acima". A seleção inadequada desses vocábulos pode comprometer sua coesão. No entanto, não observamos problemas de coerência nesse texto, visto que as ideias estabelecem relação interna. Há, ainda, a restrição temática focada somente às questões brasileiras, assunto não explicitado especificamente na frase tema. Desse modo, sua abordagem pode ser considerada limitada, assim como sua interpretação e seu entendimento sobre a proposta.

Relacionados à norma culta, há alguns desvios, não tão marcantes, mas que podem acarretar, também, perda de poucos pontos na primeira competência - norma culta - como podemos ver em "mandado" e "ciclo vicioso". A última, além de ser considerada uma expressão de utilização clichê, comprometendo o estilo criativo de seu texto, é escrita erroneamente, a saber, "círculo vicioso". Embora as competências mais características do ENEM sejam interdisciplinaridade e proposta de intervenção, normal culta é igualmente pontuada, visto que todas as cinco competências tem o mesmo valor de pontuação: 200 pontos.

Sobre a conclusão da redação, há a exigência especificamente da elaboração de uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Entretanto, não são consideradas todas as propostas que apenas apresentem um tom interventivo. É preciso elaborar uma intervenção que seja concreta e viável, principalmente, além de objetiva e que não restrinja as ideias a nenhum grupo social, econômico ou político. Propor medidas apenas às escolas, ou governantes, por exemplo, além dessa restrição, apresenta a visão limitada acerca da problematização desenvolvida ao longo do texto. Apresentar, também, uma retomada clara de sua tese, atribui à sua redação a característica de boa compreensão textual além de uma conclusão coerente com seus argumentos.

UMA POSSÍVEL REDAÇÃO EXEMPLAR
Destinada à coletividade, as políticas públicas são o conjunto de diretrizes, normas e ações efetuadas pelo Estado em busca de mudanças que favorecem o desenvolvimento social. Dessa forma, a melhoria na qualidade de vida nesse âmbito auxilia na manutenção dos direitos básicos dos seres humanos. No entanto, em países emergentes, faltam investimentos em políticas sociais, o que privilegia o setor econômico fazendo com que não ocorram mudanças sociológicas.
Pensar o desenvolvimento econômico implica direcionar esforços que incidem, sobretudo, nas relações globais entre as nações. De acordo com Stuart Hall, sociólogo contemporâneo, há uma linha tênue entre aspectos econômicos em relação às transformações sociais. Segundo o autor, essas caracterizam-se pela rediscussão da identidade cultural e aqueles a partir de uma delineação capitalista, indissociáveis na contemporaneidade.
Pontua-se, por outro lado, o caráter problemático da implementação e do acompanhamento das políticas públicas, não pensadas a longo prazo. Nessa medida, as propostas paliativas tornam-se mecanismos atenuantes para a resolução das dificuldades de concentração de renda entre outras adversidades sociais. Por conseguinte, uma análise acerca dos resultados obtidos por meio desses planejamentos revela-nos a ausência na manutenção das medidas apresentadas.
É pertinente que se fale na mescla das necessidades econômicas e sociais, pois ambas ainda são dicotômicas, quando postas em questão nas discussões internacionais. Afim de que essas demandas sejam interpoladas, devem-se redirecionar as propostas de cunho global, com o intuito de promover o acompanhamento social, de modo a preservar um desenvolvimento aplicado.